2.19.2015

CARO PROFESSOR

Ser professor não é para qualquer um, mesmo que queira,
Ser professor não é mera face da ideologia ou prazer,
Ser professor não é se apresentar como bom, inda que beira,
Ser professor não é se projetar e se aparecer!

Ser professor não é dirigir-se com ira para uma guerra,
Ser professor não é caminhar rumo a sala bem armado,
Ser professor não é pintar a lousa como dono da terra,
Ser professor não é ler um livro e ficar mamado!

Ser professor não é dizer que sei de tudo um pouco,
Ser professor não é gritar o seu doutorado como besta fera,
Ser professor não é apontar dedo como um louco,
Ser professor não é esparramar apostilas a quem espera!

Ser professor não é ditar regras e imposições imorais,
Ser professor não é algemar qualquer pupilo numa gaveta,
Ser professor não é rasgar o coração em deixas ilegais,
Ser professor não é ficar balburdiando com uma vareta!

Ser professor não é ser construtor de marionetes,
Ser professor não é tentar cobrir o frio com flanelas,
Ser professor não é enfeitar tudo com confetes,
Ser professor não é cozinhar tudo dentro de panelas!

Ser professor, o que é, tentarei, agora te dizer,
Ser professor, todavia, importa morrer sem algum medo,
Ser professor, meu caro, é mascarado nunca ser,
Ser professor, minha cara, é faltar-lhe um dedo!

Ser professor, digo-vos, vai além do que sou,
Ser professor, nu, deva sempre estar, é verdade,
Ser professor, falo-vos abertamente, com a vida casou,
Ser professor assombre-se, ainda é felicidade!

Ser professor, a luta por piso salarial não é meta,
Ser professor, o plano de carreira é fútil,
Ser professor, carga horária nunca me afeta,
Ser professor, segurança na sala é conversa inútil!

Mas ser professor é deitar e rolar nessa canção linda,
Mas ser professor é mais que luzes, são holofotes,
Mas ser professor é pular de alegria na berlinda,
Mas ser professor é lançar-se em meio a coiotes!

Sim, ser professor é enxergar uma luz invisível,
Sim, ser professor é garimpar sem pé e mão,
Sim, ser professor é moldar alguém, isso é incrível,
Sim, ser professor é suportar, sim, com coração!

Eu amo ser professor, sem hipocrisia ou covardia,
Eu amo ser professor,  sem vergonha ou melancolia,
Eu amo ser professor, com excitação e toda melodia,
Eu amo ser professor, e não abro mão, seja noite ou dia,
Eu amo ser professor, ainda que outra humanidade deva encarar,
Sim, sim eu amo essa profissão, mesmo que haja uma guerra nucelar!


David Saulo – fevereiro de 15

2.17.2015

NO CARNAVAL


O povo canta e dança, dança demais,
O povo brinca e sonha, sonha bastante,
O povo sorrir e chora, chora nos pedestais,
O povo pula e faz sexo, sexo sem conservante!

O povo come e bebe, bebe sem parar,
O povo sente prazer em sambar, sambar e esquecer,
O povo comete loucuras, loucuras de amar,
O povo não perde tempo, tempo pode perder!

O povo tem dor, mas mente, mente para viver,
O povo corre atrás da folia, mas a folia, no planalto,
O povo não sofre nesses dias, dias que deva temer,
O povo dança qualquer musica, mas o buraco é mais alto!

O povo é feliz, feliz por qualquer coisinha,
O povo urina em tudo, mas engolem vômitos a todo instante,
O povo assovia por nada, e nada abre o olho dessa carinha,
O povo até muito chora, acorda, oh povo inconstante!

O povo a todos beija, beija mesmo, é a tramoia da casa branca do Brasil,
O povo nada enxerga nestes dias, dias que é preciso, no cérebro, pancadas levar,
O povo até imita governantes, mas dia seguinte triste mãe gentil,
O povo brinca de tudo, mas e o povo heroico retumbante, vai se danar!

O povo parece cego, mas é carnaval, e ouviram o Ipiranga morreu,
O povo parece mudo, mas é carnaval, e o sol da Liberdade caiu,
O povo parece surdo, mas é carnaval, conquistar com braço forte esmoreceu,
O povo parece feliz e contente, é carnaval, mas e o pais, PUTA QUE PARIU!!!

O povo não está nem ai, é carnaval, Ó Pátria amada, Petrobras Idolatrada,
O povo no figurino até esnoba, mas é carnaval, Brasil, um sonho intenso, no mar,
O povo na coreografia erra, e dai, é carnaval, se em teu formoso céu, vaca atolada,
O povo de tudo se esquece, mas é carnaval, dos filhos deste solo é mãe caviar!

O povo ainda que infeliz, pula e pula, mas é carnaval, deitado eternamente, a federal,
O povo cego, surdo e mudo, e dai, é carnaval, e ao som do mar e à luz do véu profundo,
O povo mia, late e ruge, mas é carnaval, Iluminado ao sol do novo ano, é Cabral,
O povo para de produzir, mas ainda é carnaval, mas se ergues da justiça, me confundo!

O povo bebe até berrar, mas tudo é carnaval, o seu país, continua lindo dentro dos bueiros,
O povo não quer saber da politica, é carnaval, e a situação está controlada,
O povo gasta o que não tem. Seu chato! É carnaval, paz no futuro aos banqueiros,
O povo deixa de questionar, é cinza, é carnaval, e diga o verde-louro: desmiolada!

David Saulo – fevereiro de 15


1.13.2015

QUANDO EU CRESCER!


Quando eu crescer quero ser alguém, de verdade,
Quando eu crescer quero ser alguém, um delator,
Quando eu crescer quero ser alguém, sem maior idade,
Quando eu crescer quero ser alguém, mais liberdade!

Quando eu crescer quero delatar toda a ignorância,
Quando eu crescer quero ser um narrador,
Quando eu crescer quero ser rei da infância,
Quando eu crescer eu quero narrar o namorador.

Quando eu crescer quero arregaçar as mangas, e abraçar,
Quando eu crescer quero brincar de casinha,
Quando eu crescer quero, de mim, sempre lembrar,
Quando eu crescer quero, minha vida, sentir, cada tirinha!

Quando eu crescer quero, perdoem letrados, todo português errar,
Quando crescer quero toda matemática na palma da mão,
Quando crescer quero entender porque tudo acertar?
Quando crescer quero deixar o eu em vão!

Quando já for grande e o mundo inteiro enxergar,
Quando Já for grande quero ser e poder,
Quando já for grande quero tudo meu, vou pegar,
Quando já for grande quero atropelar e sem ver!

Do tamanho que estou sou egocêntrico e malvado,
Do tamanho que estou puro ignorante e indiferente,
Do tamanho que estou, do dinheiro sou tarado,
Do tamanho que estou sei mentir dobrado!

Já maduro eu percebo que o mal é bom realizar,
Já maduro eu sei que o engano é meu grande amigo,
Já maduro destruir e usura materializar,
Já maduro a natureza, se permanecer, um perigo!

 Velhinho, velhinho, velhinho, velhinho, 
Já não sou maduro e não percebo,
Velhinho, velhinho, velhinho, velhinho,
Do tamanho que estou, encurvado, envergonhado!

Velhinho, velhinho, velhinho, velhinho,
Do tamanho que penso estar, medo e mais fé,
Quando já estou grande, pequeno sempre fui,
Quando eu cresci, monstro me tornei!

Velhinho. Não quero crescer!
Velhinho. Não preciso crescer!
Velhinho. Não adianta crescer!
Velhinho. Não presta crescer!

Eu não quero nunca:
CRESCER
CRESCERr.s
CRESCERr.s-a.b
CRESECr.sdem/4?
CRESE8.r]@
CRES[,\#.=
CRE.0];1’\cx
CR-02lr/;.,23
C....kk.kwie.aqoi

Ba
Be
Bi
Bo
Burro!!!
Eu não quero jamais crescer!
___________________________________________
David Saulo de Andrade Ribeiro
 Janeiro de 2015

UM POEMA PARA DAVID

Escrever um verso

é como gestar um filho.
Construir uma estrofe
é cuidar de uma das etapas da vida

A primeira estrofe 
é a infância
A segunda, adolescência.
A terceira, a juventude

A quarta, vida adulta
a quinta e demais 
lucros de quem sabe viver
e tocar a alma.

Escrevo estes  versos
pra você meu amigo David
Que agora gesta
tantos versos 

Versos  que interrogam
Versos  que retratam
Versos que mostram
Sua vida, luta e garra!
                                                                     Dorothéia Barbara-  janeiro 2015